Contos, textos e ilustrações inspirados no primeiro disco do músico e compositor Beto Guedes, "A página do relâmpago elétrico".
Organização: Marina Ruivo.
Autores: Benedito Bergamo, Braulio Tavares, Cibely Zenari, Cinthia Kriemler, Cristiana Felippe, Eltânia André, Fabio Fernandes, Flávio Venturini, Fernando Naporano, Juliano Costa, Leusa Araújo, Luiz Roberto Guedes, Marina Ruivo, Moacyr Godoy de Moreira, Murilo Antunes e Sérgio Fantini.
Ilustradores: Célia Regina Furlan, João Arruda, Luciana Jorge, Nana Santos, Nívea Leite e Rogério Marcondes.
Leia um trecho do texto de Apresentação:
"Estávamos em 1993 e eu tinha quinze anos quando ouvi pela primeira vez Beto Guedes. A canção, inesquecível, era "Maria solidária", tocada em uma rádio há muito extinta, a Musical FM.
Que voz era aquela e de onde ela vinha? Que intensidade, que entrega. Era Maria que chorava, era o cantor, ou era eu, uma adolescente angustiada (com o perdão do pleonasmo)? A canção me desvelava e ao mesmo passo me acolhia, ao expulsar a tristeza e exaltar o brilho do sol e o do luar, além do brilho da vida de quem dançar.
Aguardei com ansiedade que a rádio anunciasse o nome do cantor. Beto Guedes. Quem ele seria? E como seria? Eu não tinha a menor ideia. A única certeza era a de que precisava ouvir mais músicas cantadas por ele, o que foi acontecendo lentamente, à medida que a rádio tocava "Sol de primavera", "Lumiar", "Amor de índio" ou a dolorida "Balada dos quatrocentos golpes". Mas eu não ia me contentar em ouvi-lo somente quando a rádio decidisse tocar, e por isso fui atrás de comprar seus discos, garimpando lojas e bancas de feiras.
Cada um que eu encontrava era uma conquista e eu os ouvia sem parar na vitrola do quarto, acompanhando as letras no encarte e devorando as canções. Escutei Beto Guedes diariamente por muito tempo e sei que foi ele que me levou a mergulhar na obra do Milton Nascimento e a viajar pelo Clube da Esquina. Foi também pelo Beto que descobri Lô Borges e 14 Bis, e então fui a vários shows do Milton no Parque do Ibirapuera e no Memorial da América Latina. Fui até Santo André, certa feita, de trem, para assistir o Lô. E vi Tunai no Centro Cultural São Paulo e descobri o rock progressivo de O Terço e muito, muito mais.
Beto me acendeu a paixão por Minas e pelos mineiros e despertou meu maravilhamento pelas montanhas, pelas grandes paisagens naturais, pelo céu e pelo azul. Sem saber, foi me levando pela música, fazendo-me conhecer sons diversos, e por isso nada mais coerente do que ser ele o escolhido para este que é o primeiro livro da coleção "Leia no volume máximo".
E tinha que ser A página do relâmpago elétrico porque é o primeiro disco solo do Beto; porque foi lançado em 1977 (um ano antes de eu chegar ao mundo, eu queria um disco mais velho do que eu, sabe-se lá por que); e, claro, porque é nele que está "Maria solidária", a canção que começou tudo – e cuja autoria, aliás, não é de Beto, senão que de Milton e Fernando Brant."
172 páginas
Ano de lançamento: 2023
ISBN: 978-65-981317-0-8
Apresentação: Marina Ruivo
Capa: Nívea Leite
Projeto gráfico: Vagner Mun
Revisão: Janaína D. Esposito
Edição: Marina Ruivo