Meses depois do início do confinamento provocado pela pandemia de covid-19, o filho do açougueiro da Vila Santana, morador de um condomínio de alto padrão em Sorocaba, interior paulista, tem um surto ocasionado pela música alta que vinha da casa vizinha à sua, e vai até lá. O que se desencadeia desse encontro mergulha-o numa viagem para dentro de si, em que vai rever sua vida, bem como o peso, nela, da trajetória de sua família de imigrantes italianos. Uma viagem interna que se replica, de modo surpreendente, numa metalinguagem, criando uma história dentro da história que fascina e aprofunda as significações do que lemos, fazendo deste primeiro romance de D. L. Benette uma grande estreia.
"O filho do açougueiro, romance de estreia do jornalista D. L. Benette, é sobre o filho do açougueiro da Vila Santana, bairro da cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, como está no título. Mas que não é só sobre esse filho. Nem é só sobre esse pai. Tampouco é só sobre esse bairro. Filho, pai e bairro constituem o ponto de partida de uma história escrita com sagacidade, que vai ganhando personagens, narradores, ritmos e pontos de vista e, quando pensamos que já não nos perderemos no caminho, que já é possível avistar o fim, o que temos é um novo começo. Mas será mesmo novo? Ou um começo que já estava ali? Um início que estava esperando para acontecer. Há guinadas, claro. Mas será que guinadas são mesmo súbitas? Como um personagem nos faz refletir: 'é um processo', 'nada acontece de repente'. Ao menos para quem tem olhos que não se recusam a enxergar.
Ser contemporâneo não é uma tarefa fácil. Exige olhar, de dentro do tempo em que se vive (condição inescapável), como quem está de fora a, antes ou depois. D. L. Benette é uma dessas pessoas. Parte do particular dos personagens que cria para tocar em questões delicadas, em segredos que famílias se recusam a revelar, em sentimentos e atos que não gostamos de assumir, e encaminha o nosso olhar para fatos e pessoas que boa parte da sociedade brasileira finge não existir. Como se nada disso nos pertencesse. Mas pertence. O convite para enxergar está também nessa história."
por Luciana Gerbovic (mediadora de leitura, escritora, professora e advogada)
D. L. Benette nasceu em Sorocaba-SP, no dia 3 de junho de 1967, como Djalma Luiz Benette. Desde os 5 anos carrega o apelido de Deda. É autor dos livros Em branco não sai, fruto de sua dissertação de mestrado em Comunicação e Semiótica na PUC-SP, e Minuto de silêncio, coleção de obituários publicados na imprensa e blog.
160 páginas
Ano de lançamento: 2024
ISBN: 978-65-981317-7-7
Orelhas: Luciana Gerbovic
Foto de capa: Nana Santos
Projeto gráfico: Vagner Mun
Revisão: Ana Clara Matheus
Edição: Marina Ruivo